8 coisas que precisa de saber sobre a dieta baixa em FODMAP

alimentos da dieta fodmap

A dieta baixa em FODMAP tem ganho cada vez mais destaque por ajudar a controlar sintomas digestivos como inchaço, gases e desconforto abdominal, especialmente em pessoas com Síndrome do Intestino Irritável (SII). 

Neste artigo, reunimos 8 aspetos essenciais que precisa de conhecer sobre a dieta baixa em FODMAP. 

O que significa FODMAP?

FODMAP é um acrónimo em inglês que se refere a fermentáveis (Fermentable), oligossacarídeos (Oligosaccharides), dissacarídeos (Disaccharides), monossacarídeos (Monosaccharides) e (And) polióis (Polyols). São hidratos de carbono de cadeia curta que podem ser mal absorvidos no intestino delgado, e que chegando ao intestino grosso, são fermentados pelas bactérias, o que pode originar sintomas como distensão, flatulência, dor e inchaço.

Os FODMAP tendem assim a agravar os sintomas de algumas patologias intestinais, como a Síndrome do Intestino Irritável (SII) ou intolerâncias alimentares não identificadas.  

Em que alimentos podemos encontrar os FODMAP?

Os FODMAP estão presentes numa ampla variedade de alimentos, como: 

  • Cereais (trigo, centeio, cevada)  
  • Lacticínios com lactose (leite, iogurte, alguns queijos)  
  • Leguminosas (feijão, grão-de-bico, lentilhas, ervilhas, favas)  
  • Certos vegetais (cebola, alho, alcachofra, cogumelos)  
  • Frutas específicas  
  • Frutos oleaginosos (caju e pistácio)  
  • Produtos à base de soja 
  • Adoçantes artificiais e mel 

O que é a dieta baixa em FODMAP?

A dieta baixa em FODMAP consiste na redução temporária de alimentos ricos nestes compostos, com o objetivo de identificar quais desencadeiam sintomas digestivos (também conhecidos como “triggers”). 

É frequentemente recomendada em casos de SII ou suspeita de intolerâncias alimentares funcionais. 

Quais os objetivos desta dieta?

Numa primeira fase, esta dieta pretende reduzir a severidade e a frequência dos sintomas, proporcionando alívio aos doentes.  

Nas fases seguintes, o objetivo é identificar os FODMAP que desencadeiam os sintomas (“triggers”), permitindo compreender quais os alimentos a evitar e/ou em que quantidades podem ser tolerados, bem como  realizar uma reintrodução alimentar progressiva e personalizada, sem comprometer a variedade da dieta.  

Como é constituída esta dieta?

A dieta baixa em FODMAP é constituída por três fases: 

FASE 1

ELIMINAÇÃO


Nesta fase são restringidos oalimentos ricos em FODMAP, optando por alimentos naturalmente baixos em FODMAP. Tem como objetivo o controle e redução dos sintomas e pode durar entre 2 a 6 semanas. 

FASE 2

REINTRODUÇÃO


Nesta fase da dieta são realizados testes aos diferentes FODMAP. Desta formaé possível perceber a intolerância individual a cada FODMAP e identificar os triggers” (alimentos desencadeantes)Esta fase pode ter uma duração entre 8 a 12 semanas. 

FASE 3

PERSONALIZAÇÃO


Nesta fase, a alimentação é personalizada com base na tolerância individual, reintroduzindo alimentos e ajustando quantidades para manter uma dieta variada e bem tolerada a longo prazo. 

Esta dieta é eficaz no tratamento de SII?

Apesar de não ser a única abordagem para a SII, a dieta baixa em FODMAP tem demonstrado uma eficácia significativa na redução dos sintomas. 
Estudos indicam uma melhoria dos sintomas em cerca de 50% a 80% dos doentes com SII, sobretudo ao nível do inchaço, dor abdominal e alterações do trânsito intestinal.  

Como posso fazer esta dieta?

Esta não é uma dieta que pode ser feita de forma autónoma. Recomenda-se o apoio de um nutricionista com experiência em dieta baixa em FODMAP, que irá, numa primeira consulta avaliar os seus sintomas e a frequência dos mesmos, e orientá-lo para a fase de restrição. Posteriormente irá acompanhá-lo na fase de reintrodução e adaptar o plano alimentar à tolerância individual.  

Fontes alimentares de FODMAPs e alternativas adequadas *

TIPO DE FODMAP
A EVITAR
PREFERIR
FRUTA
Maçã, pera, pêssego, abacate, amora, ameixa, manga, melancia e alperce
Banana, ananás, abacaxi, meloa, laranja, clementina, maracujá, kiwi, papaia, framboesas, morangos, mirtilos e uvas
Frutas oleaginosas e sementes
Caju, pistácio e soja
Amendoim, amêndoa, noz, noz pecan, noz da macadâmia, avelã, pinhão, castanha do brasil, tofu firme, tempeh, rebentos de soja, sementes de abóbora, sementes de sésamo e sementes de girassol
Hortícolas
Alho francês, alcachofra, beterraba, couve-flor e cogumelos frescos
Cenoura, endívia, feijão verde, alface iceberg, abóbora manteiga, tomate, curgete, nabo, pimento, beringela, espinafre, bok choy, pepino e rúcula
Tubérculos e condimentos
Batata-doce, cebola e alho
Batata inglesa, inhame, mandioca, cebolinho e
assa-fétida
Leguminosas
Favas
Lentilhas enlatadas, grão-de-bico enlatado e ervilhas enlatadas
LÁCTEOS
Leite com lactose, requeijão, natas, sobremesas lácteas e gelados de leite
Leite sem lactose, manteiga, iogurtes baixos em lactose, queijos moles (mozarela, camembert, brie, feta, quejo de cabra, cottage, ricotta, cream fraiche e quark), queijos duros (flamengo sem lactose, manchego, parmesão, suíço, cheddar e havarti), bebidas e iogurtes vegetais
Cereais
Pão de trigo, centeio, cevada, integral (com glúten), muesli, granola, bolachas com farinha de trigo, massa, etc.
Pão sem glúten ou de massa mãe (espelta, trigo sarraceno, milho e arroz), corn flakes, cereais de arroz e quinoa, bolachas de milho e de arroz, flocos de aveia, arroz, massa sem glúten, millet, polenta, tapioca, quinoa, milho doce, etc.
Bebidas
Bebidas frisantes, licores e bebidas brancas, sumo de maçã e refrigerantes com edulcorantes (terminados em -ol) e /ou frutose e chá de camomila
Vinho maduro, cerveja, café, chá verde, chá de menta e chocolate em pó
OUTROS
Mel, xarope de agave, produtos industriais que contenham frutose ou polióis (sorbitol, xilitol, maltitol, isolamalte, eritritol, etc.)
Carne, peixe, ovo, xarope de ácer, mostarda, molho de soja e chocolate negro

* NOTA: Dentro dos alimentos indicados como alternativas deve sempre verificar com o seu nutricionista quais as quantidades permitidas de consumo, mediante a fase que se encontra da dieta.

Artigo revisto pela Drª Sara Barreirinhas, Nutricionista Certificada na Dieta baixa em FODMAP pela Monash University e Membro da Ordem dos Nutricionistas (2098N)

FAQs

A dieta FODMAP é uma dieta para perder peso?

Não. O seu objetivo não é a perda de peso, mas sim a identificação de alimentos que desencadeiam sintomas gastrointestinais.

Preciso de seguir esta dieta FODMAP para sempre?

Não. A fase de eliminação é temporária. O objetivo final é ter uma dieta o mais variada possível, restringindo apenas os alimentos FODMAP que desencadeiam sintomas.

Posso fazer esta dieta baixa em FODMAP sozinho? 

Não é recomendado. A dieta baixa em FODMAP deve ser orientada por um nutricionista, para garantir equilíbrio nutricional e correta identificação dos alimentos desencadeantes.

Referências

Syed K, Iswara K. Low-FODMAP Diet. StatPearls. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing Copyright © 2022, StatPearls Publishing LLC.; 2022.

Whelan K, Martin LD, Staudacher HM, Lomer MCE. The low FODMAP diet in the management of irritable bowel syndrome: an evidence-based review of FODMAP restriction, reintroduction and personalisation in clinical practice. J Hum Nutr Diet. 2018;31(2):239-55.

Monash University DoG. The Monash Uni low FODMAP diet app 2016. Available from: https://www.monashfodmap.com/ibs-central/i-have-ibs/get-the-app/

van Lanen AS, de Bree A, Greyling A. Efficacy of a low-FODMAP diet in adult irritable bowel syndrome: a systematic review and meta-analysis. Eur J Nutr. 2021;60(6):3505-22

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